O mês de setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção do suicídio que busca ampliar o diálogo sobre saúde mental, combater o estigma e incentivar a procura por ajuda. A iniciativa ganha importância também no ambiente de trabalho, onde fatores como pressão, jornadas excessivas, estresse, falta de reconhecimento e conflitos podem afetar o bem-estar dos trabalhadores.
O 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, é uma data de mobilização para reforçar a necessidade de falar sobre o tema de forma responsável e acolhedora. No Brasil, a campanha é promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria e pelo Conselho Federal de Medicina, com o objetivo de informar a sociedade, estimular a prevenção e fortalecer as redes de apoio.
Números mostram a dimensão do problema
Os dados disponíveis mostram que o suicídio continua sendo um importante problema de saúde pública no país. Segundo informações divulgadas pela Fundacentro, com base em dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil registra aproximadamente 14 mil mortes por suicídio por ano, uma média de cerca de 38 mortes por dia.
Além da dimensão social, a questão também está relacionada ao mundo do trabalho. A Fundacentro destaca que situações como estresse, pressão por resultados, jornadas excessivas e ausência de reconhecimento podem contribuir para o adoecimento mental. Transtornos mentais também estão entre os principais motivos de afastamento do trabalho.
Por isso, cuidar da saúde mental deve fazer parte da rotina de prevenção e promoção da saúde no trabalho. Criar espaços de escuta, respeitar os limites, combater situações de violência e assédio e incentivar que trabalhadores procurem ajuda quando necessário são atitudes que podem contribuir para ambientes mais saudáveis.
Saúde mental também é uma questão trabalhista
Para a Nova Central Sindical de Trabalhadores de Santa Catarina (NCST-SC), o Setembro Amarelo é uma oportunidade para chamar a atenção para uma questão que precisa ser tratada durante todo o ano: a saúde mental de quem trabalha.
A entidade apoia a campanha e reforça a importância de olhar para as condições em que trabalhadores e trabalhadoras desempenham suas atividades. A defesa de ambientes de trabalho seguros deve envolver não apenas a prevenção de acidentes e doenças físicas, mas também a atenção aos fatores que podem provocar sofrimento e adoecimento psicológico.
A NCST-SC destaca que trabalhadores e trabalhadoras precisam ter acesso a ambientes de trabalho que valorizem a dignidade, o respeito, a saúde e a qualidade de vida. A organização sindical também considera fundamental ampliar o debate sobre saúde mental e estimular a busca por apoio diante de situações de sofrimento.
Pedir ajuda é um ato de cuidado
O Setembro Amarelo também reforça que ninguém precisa enfrentar sozinho momentos de sofrimento emocional. Conversar com alguém de confiança e buscar atendimento profissional são atitudes importantes.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. A rede pública de saúde também conta com serviços de atenção à saúde mental, incluindo as Unidades Básicas de Saúde e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Mais do que uma campanha de um mês, o Setembro Amarelo é um convite para que a sociedade fale sobre saúde mental durante todo o ano. Cuidar de quem trabalha também significa cuidar da mente, reconhecer sinais de sofrimento e garantir que ninguém tenha vergonha de pedir ajuda.
Observação editorial: evitei detalhar métodos ou circunstâncias de suicídio, seguindo uma abordagem de comunicação responsável e preventiva. A Fundacentro também recomenda ampliar o diálogo sobre saúde mental no trabalho e criar espaços de escuta.



